Muitas macuas – parte das mulheres nativas do Centro e Norte de Moçambique – estão, paulatinamente, a dispensar um dos adornos que animam nas fantasias sexuais que durante séculos foi basicamente usado por muthiyanas das zonas costeiras nortenhas moçambicanas.
Estamos a falar das nkhovas – missangas, quando directamente traduzido de emakhua para português, um adorno que durante gerações e gerações foi usado na cintura pelas mulheres para seduzirem ainda mais os homens nos momentos íntimos, enfeites geralmente reservados para o parceiro considerado excepcional.
O abandono gradual desta prática ancestral não está apenas a vulgarizar os momentos de prazer sexual com as mulheres macuas, como também está a deixar em apuros financeiros os fabricantes destes colares que mesmo assim ainda são procurados não apenas por mulheres do Centro e Norte de Moçambique, como há casos de aquisições em quantidades substanciais por algumas do Sul do país para uso pessoal e/ou revenda.
Há 17 anos que Paulino Alberto se dedica ao fabrico e venda das nkhovas e à revista Prestígio relatou que a cada dia que passa vê o seu negócio a minguar devido à cada vez menos clientela buscando estes colares que em termos de procura por mulheres apenas rivaliza com o famoso mussiro – o pitoresco produto de beleza das mulheres do Centro e Norte de Moçambique, principalmente as macuas.
Com nostalgia Paulino Alberto recorda-se dos tempos em que vendia cada colar a 250 meticais ou mais, mas hoje se vê obrigado a baixar o preço até aos 50 meticais, pelo menos para não regressar a casa de mãos a abanar.
O nosso entrevistado presume ser o reflexo da influência de culturas estranhas aos povos da região este progressivo abandono do recurso às nkhovas por parte da maioria das mulheres do Centro e Norte Moçambique.
Todavia, para perpetuar a tradição, as matronas se esmeram até à exaustão nas palestras das famosas sessões dos ritos de iniciação aos quais quase todas as donzelas macuas, kimwanes e macondes são submetidas quando atingem a puberdades.
A insistência para preservar a prática é tal que não se assiste ao abandono total e ainda desta cultura. Há senhoras que vão ter com o senhor Alberto para adquirir as nkhovas não para elas, mas para as adolescentes e jovens da família, como se pode constatar no vídeo AQUI identificado.
© REFINALDO CHILENGUE