Imbuídos pela ideia de que para a humanidade, os desafios são permanentes, as aventuras constantes, o turismo um prazer de viver em liberdade, a investigação ilimitada e de que o mundo não devia ter fronteiras, nos metemos na via para o “desconhecido”, e fomos dar com um [quase] paraíso na terra.
O nosso ponto de partida foi a mais que tranquila vila de Songo, hospedeira do lendária Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), na província Noroeste moçambicana de Tete.
Nos embalamos pelos 12 quilómetros do serpenteante, muito bem sinalizado e tratado “tapete” de Maroera e fomos dar à não menos conhecida Chitima, autarquia que desde Janeiro de 2015 ficou famosa por causa da tragédia [pelo menos 75 óbitos] resultante do consumo de uma bebida artesanal tóxica — a tristemente célebre phombe, que até hoje continua a alegrar muita gente na zona.
A estrada, uma verdadeira obra de arte, foi construída pela HCB, no âmbito da sua responsabilidade social, tendo sido inaugurado formalmente pelo Presidente Daniel Francisco Chapo a 23 de Junho de 2025, por ocasião da passagem dos 50 anos do imponente complexo hidroeléctrico que reverteu para o Estado moçambicano em 27 de Novembro de 2008.

Desta vila entramos pela R601 e, como não podia deixar de ser, os “zelosos” agentes da nossa Polícia da República de Moçambique (PRM) — alérgicos a qualquer um com câmeras de fotografar e/ou de filmar em punho — demonstraram o quão “contribuem” para o turismo… Mas deixemos os maus da fita, porque por estes pouco reza a História.
Aproximadamente uma dezena de quilómetros de Nhacapiriri para quem ruma em direcção a Mucumbura — que faz fronteira com o Zimbabwe [Mukumbura], viramos à direita, por uma agreste picada adentro, como uns loucos sem Norte.
Percorridos uns ásperos 19 quilómetros de picada envolta em vegetação acastanhada e com muitos pedregulhos nas bermas, com casebres aqui e acolá, disputando a via com andrajosos, motorizadas transportando de um modo geral não menos que três pessoas, e outras almas viajando a bordo de carroças puxadas por burros e vacas, lá vislumbramos uma excelentemente tratada relva verde.
Relaxados e animados com o panorama à nossa frente, apeamos, e outra surpresa nos aguardava: límpidas e calmas águas do Lago Cahora Bassa, resultante do rio Zambeze, com cuidadas gaiolas de peixe em criação, uma frota de (seis) barcos de pesca e (dois) de recreio, operacionais.
À entrada desta estância turística construída por um zimbabweano hoje com 73 anos de idade, amante da actividade de caça e pesca desportiva, natural de Marondera, província de Maxonalândia Oriental, localizada a cerca de 72 quilómetros a Leste de Harare [capital do Zimbabwe], hoje gerida pelo filho deste que se apaixonou por uma moçambicana natural da cidade da Beira, província de Sofala, tem um parque, onde é feita a manutenção de equipamentos diversos do lodge, incluindo barcos e viaturas.
Construído a partir de 2008 e tendo começado a acolher hospedes em 2011, o lodge situado a sete horas de condução em estrada maltratada [105 quilómetros até a fronteira de Mucumbura] até Harare, capital zimbabweana, é refúgio ideal para os amantes do sossego, apaixonados pela aventura aquática, pesca e jogos de golfe.

Dotado de belíssimos e confortáveis chalés e outros compartimentos clássicos para alojamento, o complexo possui um excelente bar, sala de conferências, spa e ginásio. Porque o proprietário é amante da natureza, optou por atribuir ao espaço o nome de uma planta medicinal abundante e muito usada em Moçambique.
Poucos moçambicanos e muitos zimbabweanos, sul-africanos, malawianos e cidadãos de outras nacionalidades, são os que têm registo de frequência desta verdadeira “terapia” escondida no Lago Cahora Bassa, pronta a “tratar da saúde” de quem dela necessita, esteja sozinho, em família e/ou equipes corporativas, uma evidência de que Cahora Bassa dá mais ao país e ao Mundo do que energia eléctrica.
Vamos viajar pelo desconhecido, desenvolvendo a cultura do esforço e da resistência, porque, estudos científicos asseguram que o passeio, principalmente a caminhada, quando pausado e alternado com intervalos de intensidade e descanso, não só serve para melhorar a forma física, como também pode retardar a deterioração dos órgãos associada à idade.
Vamos passear!
© REFINALDO CHILENGUE (texto)
© JOSHUA NEUSO (fotos)
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